SINOPSE

 
Rico e bem sucedido, Will (Sam Claflin) leva uma vida repleta de conquistas, viagens e esportes radicais até ser atingido por uma moto, ao atravessar a rua em um dia chuvoso. O acidente o torna tetraplégico, obrigando-o a permanecer em uma cadeira de rodas. A situação o torna depressivo e extremamente cínico, para a preocupação de seus pais (Janet McTeer e Charles Dance). É neste contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para cuidar de Will. De origem modesta, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida, ela faz o possível para melhorar o estado de espírito de Will e, aos poucos, acaba se envolvendo com ele.

Sobre o filme

Egoísmo

A história mostra que decisões são tomadas, às vezes, independente de sentimentos, pois o que alguém sente por outro não pode ser maior que o que se sente por si mesmo. Mas essa lógica abre uma questão: até que ponto alguém como dono das suas escolhas é egoísta?

Mas e o egoísmo da outra parte? O filme mostra que o fato de conhecer uma pessoa não significa que se exerce poder sobre ela, pode-se influenciar, mas não exercer poder sobre ela e suas escolhas.

Amor, dinheiro e liberdade

Sobre amor, não a vejo como amor da vida dele, ela parece mais alguém que apareceu num momento ruim da vida dele e mostrou que ainda vale a pena viver e sobreviver. Alguém que proporcionou a ele bons momentos aceitando-o na condição em que ele estava e tomando essa condição como a única, afinal não o conheceu como ele era.
Talvez vejo-a assim porque entendo o amor como uma questão de escolha, mais forte que a escolha  pela morte. Para mim, em momento algum ele deixou de se ver como alguém já morto, vejo-o como alguém que, por encontrar outra pessoa que lhe proporcionasse algo perto do que ele tinha, sem forçar a condição que ele estava, apenas conseguiu mais alegria no tempo que já tinha dado a si mesmo e aos mais próximos.
Vejo a relação de amor dele para com ela mais como uma questão de gratidão, apesar de parecer que ele faz tudo o que ela pede, vejo-o como alguém que está sendo agradado e retribuindo o que lhe está sendo feito.
O filme mostra também que o fato dele e a família terem dinheiro não muda em nada sua condição atual, apenas permite que ele consiga viver de maneira confortável e adaptável a nova condição. O dinheiro continua sem valor para comprar certas coisas que julgamos importantes, mas é capaz de trazer algumas para perto.
A liberdade para mim, na verdade, parece mais uma ausência de essência que ele construiu durante toda a vida, um eu que tinha uma outra condição e que nessa antiga condição está morto. Ele não se sente mais livre porque não se sente mais ele e já fez sua escolha pela morte, porque já se vê como morto.
As questões de amor, liberdade e dinheiro para ela se dão de modo inverso. Ela sim aprendeu a amá-lo e estava disposta escolher ele, mesmo depois de ter provado um pouco do que seria essa vida. Ela fazia as coisas por ele não porque ele merecia ou porque ela precisava retribuir, de início foi o jeito dela mesmo, mas depois para fazer com que ele mudasse de opinião.  Porque ela sim não tinha razão para fazer o que fazia mas fazia e esperou ser retribuída da mesma forma por ele, mas não foi. Ela talvez não merecesse a condição dele, mas era a escolha que ela estava fazendo, só que isso era uma coisa que ultrapassava o retribuir dele, não seria mais um gesto de retribuição, mas agora uma escolha de entrega da parte dele, mas ele já tinha tomado a decisão de não viver assim,  porque enfim, isso para ele não era vida. O dinheiro nem era a coisa mais importante para ela, mas sim para sua família que estava precisando mas ela também enxergava o dinheiro como uma forma de proporcionar a ele experiências parecidas com as antigas. E ela tinha a oportunidade de ser livre, mas não usufruía dessa oportunidade.

Quem era Eu e Você?

Achei interessante essa questão no filme fez eu me questionar quem na verdade era quem antes do outro. Para mim o eu era ela e o você era ele. Achei super interessante o que ele fez com ela. Ele a confrontou de maneira doce como se dissesse: eu sei o que é estar morto e você não está, então não viva como se estivesse. A vida vai além do agradar à quem você ama.
Ela pode ter encontrado nele o amor da vida dela e o que ela não fez com ele, ele fez com ela. Conseguiu confrontá-la de maneira doce e sútil com a sua atual condição e também de maneira direta ao lhe deixar a carta.
No final de tudo parece que qualquer escolha que ele fizesse diferente da morte, viria com consequências que ele sabia que não aguentaria, ligadas à sua satisfação como homem.

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