Três horas da manhã. É certo que milhares de pessoas estavam acordadas como eu. Alguns terminavam seus livros desesperadamente ansiosos pelo fim, outros concluíam teses de mestrado e trabalhos acadêmicos acompanhados por xícaras de café. Alguns bebiam nas festas, amavam loucamente, assistiam a filmes de terror com os amigos, jogavam rpg. Outros levantavam para beber água e logo dormiam novamente. É certo que muitos faziam arte aquela hora: uns pintavam, outros tantos escreviam. Muitos choravam, enquanto milhares de outros morriam de rir na mesa de um bar, num pub qualquer. É certo que milhares saíam de shows naquele momento e iam para casa embalados por melodia. Milhares conversavam nas sacadas e nos sofás, bebiam nos apartamentos para esquecer as dores, se embriagavam escrevendo músicas e poesias. E outros, como eu, só rolavam nas camas, perdidos, sozinhos e sentindo o peso do mundo sobre as costas. É certo que muitos também estavam sofrendo de insônia e dor. Choravam baixinho para não acordar ninguém. Como eu, juravam tudo, só por uma noite tranquila, com a mente vazia e o coração em flor. Muitos também sentiam aquele frio que vinha de dentro da alma. Mas ninguém, nenhum desses milhares, sentia um aperto tão grande como eu. Os mais felizes àquela hora talvez fossem os amantes, o mais triste deste gráfico, no entanto, tinha o meu nome e endereço.
Rio-doce (via umaperegrina)
